terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Meu pedido
Eu ainda não acostumei a te amar
O sentimento continua crescendo
Eu ainda não aprendi a controlar
O bom é que ele existe
E assim eu posso levar
Deus queira que ele persista
Não sei como é não te amar
Continuo a contar migalhas de minutos
E quando eu quero que voe
parece parar
Seu retrato é a bandeira do meu mundo
Que só o amor pode adentrar
Musa única do meu reino feliz
Só você pode trazer a ruína
Levando para fora daqui o seu calor
Então fica
Fica assim mesmo
Sem rima
Nem nada.
Para (sempre): Natália Bonn. ♥
sábado, 23 de junho de 2012
Lágrimas de desespero
tempo
Falta
espaço
Falta
ar
Sobra
pressa
Sobra
mágoa
Sobra
dor
Falta
você
Sobra
eu
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Declaro a verdade
Me perguntaram se eu tinha planos. Perguntei que tipo de planos.
"Planos para a vida futura."
O máximo que consegui responder foi que não dependia de mim. Nem tanto por conta do acaso, que obviamente tem grande participação na minha vida, particularmente. Mas, por causa do amor.
Por mais que eu quisesse controlar o destino de sua vida, não cabe a mim essa missão. Então, o que me resta é esperar.
"Mas você vive sem planejamentos?"
Sim, perfeitamente. Não tenho muitas decepções.
"Possui qualquer visão do futuro?"
Sim. Vejo-me ao lado de minha amada, numa cama cheia de lençóis e travesseiros, enroscadas aos beijos ao nascer do dia chuvoso no Rio de Janeiro.
"Não achas pobre e simplório?"
Nem por um segundo. Minha riqueza, felicidade e futuro pertencem impreterivelmente àquela que chamo de Amor. Todo meu futuro depende de quantos sorrisos por minuto terei o privilégio de presenciar.
Não. Não pense que faço dessas palavras algum tipo de declaração barata de amor cego e apaixonado. Isso é apenas a minha verdade. Talvez a declaração da minha verdade. Uma verdade apaixonada.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Fria tez
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Hálito frágil do imortal
A vida é o maior dos exemplos
E assim é a morte
O fantasma inconstante
onipresente
Mas ele volta
junto com a vida
A morte renasce
desaparece
dentro do mesmo instante
à menor partícula do tempo
O último suspiro
se torna o primeiro sorriso
E com todo estudo
preparação
de uma vida
fica perplexado
relutante
inconsequente
Um som repetido
como apito
indica o sopro.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Do outro lado da porta
Eles estão certamente discutindo o tema da próxima reunião. Os barulhos de papel são fruto das anotações e leituras das propostas feitas.
Eles podem estar planejando um golpe para recuperar o posto de diretor-chefe. O cheiro de café mostra a preocupação de se manterem atentos.
Eles provavelmente estão fazendo piadas sobre o chefe que parece ter mudado a dentadura. A água que escorre pelo chão deve ter sido um gesto brusco dele dando uma risada.
Eles devem ser amantes e só tem oportunidades seguras de encontros naquela sala. A respiração alta só pode ser do sexo.
Eles são vizinhos, ele é gay, ela é gay, e os dois estão dormindo neste momento na sala, porque ontem a noite foram ao show da Madonna e ainda não tiveram tempo para descansar. Tentaram se manter acordados com o café e água gelada, mas foi inútil, o máximo que conseguiram foi deixar o corredor com cheiro bom. Dormiram em cima de papéis importantes. Ele descobriu que ela ronca, a respiração é extremamente alta. Quando ouviram o telefone tocar, acordaram rápido demais e deixaram derramar o copo d'água que pegaram.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Perspective-me
Estava eu lá, na minha, de boa, vendo Bob Esponja a contragosto. Aquela sala lotada de gente falando alto e perguntando coisas sobre a vida alheia. A médica parecia que não queria atender às pessoas, eu já estava há uma hora esperando pra ser atendida e tinha uma menina me incomodando. Ela ficou essa hora inteira, e continuou, com as pernas cruzadas lendo. Não é possível que uma pessoa consiga ficar nessa posição por tanto tempo sem levantar nem o rosto pra olhar as horas. Tinha cara de criança, devia estar lendo Harry Potter ou algo do tipo.
Nunca mais volto naquele lugar. Muito lotado, muito calor e muito barulho. Acho que só tinha uma pessoa em silêncio naquela sala. Ela lia um livro com tanto afinco que reparei nas pessoas do lado analisando-a, assim como eu fazia. Pelo tempo que passou na mesma posição, lendo sem esboçar qualquer emoção, devia ser um livro da faculdade. Ela usava óculos e roupas simples, mas impecáveis. Parecia que estudava numa faculdade boa, mas não saía por aí se gabando por isso. Gostei dela. Se eu não fosse tão tímido, falava com ela. E de qualquer forma, o barulho era tanto que provavelmente ela não me escutaria.
Se eu contar você não acredita. Achei a médica dos meus sonhos. Aquela sala de espera não era lá muita coisa, mas eu vi tanta gente diferente passando pra lá e pra cá, que me distraí. A mais estranha delas era uma mulher pequena. Toda retorcida num pedaço do banco. Parecia um bichinho ameaçado encolhido num canto. Tinha nas mãos um livro e quase não vejo o rosto dela de tão enfiada naquelas páginas que tava. Tinha cara de criança, mas criança não fica assim, lendo sem parar e sozinha numa sala de espera. A menos que ela seja moradora de rua. Deve ter roubado o livro de alguma criança e foi ler naquela sala, achando que estaria segura. Usava um short jeans surrado e uma camiseta dessas em formato de T com chinelos havaianas. Coitada. Se o remédio não tivesse tão caro, eu compraria umas roupinhas pra ela.